os crimes de maio de 2006

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PCC

Ao contrário de que a sociedade pensa, a criação do Primeiro Comando da Capital foi algo idealizado a partir da necessidade dos presos de se manterem unidos, pela busca da paz entre os bandidos e a união contra o Estado opressor, isso segundo o Estatuto de Fundação da organização criminosa.

Outro fator que ajudou a criação do PCC foi o Massacre do Carandiru – quando 111 presos foram assassinados no Pavilhão 9, em uma tentativa da Polícia Militar em acabar com uma rebelião no dia 2 de outubro de 1992 - quando os presos perceberam que a união entre eles ajudaria a “sacudir o sistema e fazer essas autoridades mudarem a prática carcerária desumana, cheia de injustiça, opressão, tortura e massacres nas prisões”, como está destacado no 13° artigo do estatuto. O movimento foi oficializado em 31 de agosto de 1993, durante um campeonato de futebol na Casa de Custódia de Tratamento de Taubaté - CCT.

Cezar Augusto Roriz Silva, o Cesinha; José Márcio Felício, o Geleião; Ademar dos Santos, o da Fé; Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Fei; Wander Eduardo Ferreira, o Du Cara Gorda; Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías Esquisito; Misael Aparecido da Silva, o Misa; e José Epifânio Pereira, o Zé Cachorro lideraram a vitória do PCC em seu primeiro embate contra o “inimigo”, quando, em uma emboscada, os oitos fundadores executaram Severo e Garcia, até então líderes do CCT, ganhando assim confiança dos outros presos. Logo após isso, a facção começou a tomar conta da Casa de Custódia e expandir essa notoriedade pelo sistema carcerário do estado de São Paulo.

 
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Dias de Terror

Rebeliões, mortes por armas de fogo, ataques contra agentes públicos e frota de ônibus formaram o caos durante as ações arquitetadas pelo Primeiro Comando da Capital — ações desenvolvidas dentro do QG da facção, o sistema penitenciário paulista. Como exposto por Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias (2018), de dentro do cárcere e das cadeias do estado, os líderes do Primeiro Comando da Capital deram a ordem do “Salve Geral”, expressão utilizada pelos criminosos para autorizar os ataques nas ruas, que mobilizaram dezenas de criminosos em ações surpresa.

Os acontecimentos tiveram seu estopim na madrugada do dia 11 para do dia 12 de maio de 2006. Nesse momento, o Governo do Estado de São Paulo, durante uma ação organizada em silêncio, ordenou a transferência imediata de 765 presos ligados ao PCC para a penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau, localizada no quadrante noroeste do estado. No entanto, a tentativa de desarmar a facção saiu pela culatra.

Por meio da utilização de telefones celulares ilegalmente introduzidos nas penitenciárias, as lideranças da facção mobilizaram as principais cadeias do estado para orquestrar juntos uma grande rebelião, que seria sem precedentes na história da segurança pública brasileira. Enquanto a cúpula do PCC — Marcos Camacho, vulgo Marcola ou Playboy, Júlio Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, Rogério Jeremias de Simone, conhecido no crime como Gegê do Mangue, David Stockel, o MacGyver, José Carlos Rabelo, vulgo Pateta, e Alejandro Herbas, conhecido como Júnior — estava sendo transferida para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), 37 na Capital, pessoas anônimas, de diferentes formas ligadas a ilegalidade, iniciaram a primeira onda de ataques.

No primeiro dia de ataques, policiais militares, civis e agentes penitenciários foram pegos de surpresa por ataques simultâneos em onze distritos policiais do munícipio de São Paulo. O saldo de 10 mortes e duas rebeliões em penitenciárias na primeira onda de ataques deu luz ao que estaria por vir.

O dia 13 de maio amanheceu repleto de medo e rumores, porém novamente os Policiais Militares, no exercício de sua profissão, foram pegos de surpresa. Foram cerca de 52 ataques, 54 mortes e 27 rebeliões que marcaram a cidade, a sociedades e a imprensa brasileira como um dos dias mais sangrentos da história do estado.

 

No domingo, dia 14, o número de mortes subiu para 82 e o de ataques para 93. O caos tomou conta da cidade de São Paulo. A mídia, impulsionada pelo anseio da população por respostas referente aos acontecimentos, anunciava ao vivo o que jamais havia sido visto na cidade: calmaria. São Paulo passou os dias de domingo e segunda-feira praticamente vazia. O trânsito conhecido pela intensidade e cargas volumosas de carros e pessoas fora substituído por silêncio e vazio, como se um alerta e um toque de recolher fossem impostos nas ruas e as pessoas se mantido trancadas em casa.

Com escolas, comércios e departamentos públicos paralisados, a cidade de São Paulo iniciou o dia 16 de maio com o anúncio de um suposto acordo entre o PCC e o Governo do Estado de São Paulo. Esse acerto de contas entre as partes possibilitou uma diminuição na força dos ataques, o que acarretou em 26 ataques, 89 mortes e 18 ônibus incendiados. A partir daí os ataques se intensificaram no interior do estado, as cidades de Botucatu, Campinas, Mogi Mirim, Piracicaba e São José do Rio Preto, entre outras. Nesse momento, a polícia contra-atacou. Na madrugada seguinte, as forças policiais mataram 33 suspeitos e apreenderam 24, e, apesar dos questionamentos a respeito dessas operações, pouco foi divulgado e investigado.

O dia 17 foi marcado pelo pânico. Apesar da diminuição do número de ataques, espalhou-se boatos de bombas em escolas e cinco ônibus foram incendiados, e a somatória de mortes por parte de policiais chega a 22. No dia seguinte, a cidade amanheceu com relativa calmaria e, mesmo assim, foram registrados 14 ataques, 51 mortos pelo Estado e 4 ônibus incendiados. Vale destacar também as tentativas de invasão a um batalhão da PM e ao fórum de Mogi Mirim.

 

Já no dia 18 de maio, o estado fortaleceu a segurança e pela primeira vez em dias o número de mortos permaneceu no mesmo patamar.

 
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Episódios

O estopim - Josmar Jozino

Jornalista e repórter policial brasileiro, Josmar Jozino é especialista na cobertura de casos relacionados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC. No primeiro episódio da série “Dias de terror: Os Crimes de Maio de 2006”, Josmar relembra os primeiros momentos do PCC e revela detalhes do início dos ataques.

O caos penitenciário - Rogério da Silva

Ex-agente de escolta e vigilância penitenciária, Rogério vivenciou o estopim do início da guerra de maio no ano de 2006 na unidade prisional da Vila Maria, localizada na zona norte de São Paulo. No segundo episódio da série, Rogério conta o que viveu dentro do sistema durante os Dias de Terror.

Como se faz uma rebelião - Anderson Carvalho

 

Anderson é um ex-detento que participou de uma das rebeliões de maio de 2006. De dentro de uma cadeia, vivenciou o estopim dos ataques. No terceiro episódio da série, veja como os presos se organizam para realizar uma rebelião e os desdobramentos da vida de Anderson.

O drama e a guerra policial - Tenente Samuel

 

Maiores alvos da facção criminosa, os agentes de segurança pública, como o Tenente Samuel, vivenciaram dias intensos. No quarto episódio da série, confira um dos piores dramas vividos por um ex-policial militar na cidade de São Paulo durante os dias de terror.

A saudade de casa - Luciene e Larissa Zuca

 

Luciene, técnica de enfermagem estava trabalhando em seu turno no hospital Santa Casa de Santo André, quando percebeu que algo estranho estava acontecendo. No quinto episódio da série, veja a história de uma enfermeira que vivenciou, de perto, momentos que não saem da sua cabeça há 14 anos. 

A eterna luta por justiça - Débora Maria da Silva

 

No último episódio da série, Débora Maria da Silva conta os momentos que passou com a perda de seu filho nos ataques de 2006, a incansável luta por justiça em nome de todas as mães que perderam seus filhos queridos e explica sobre o movimento que fundou: Mães de Maio.

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